O técnico de enfermagem Rene Serafim Soares foi mais uma das vítimas do novo coronavírus em Belo Horizonte.

Segundo nota enviada pela Fhemig, Rene, que era servidor do ambulatório do Hospital João XXIII, deu entrada no João XXIII no dia 18 de junho para se tratar de um problema clínico, mas com suspeita de Covid-19. O diagnóstico para a doença foi confirmado no dia 25 de junho e ele foi isolado, seguindo os protocolos clínicos.

No dia 8 de julho, foi transferido para a Santa Casa, mas acabou não resistindo aos tratamentos e morreu neste sábado (11).

De acordo com a Fhemig, Rene “estava afastado de suas atividades desde 2018 e seu processo de aposentadoria já estava em andamento desde fevereiro do ano corrente”. A fundação conclui seu comunicado dizendo que “lamenta o ocorrido e se solidariza com a família do servidor”.

Assim como Rene, vários outros profissionais de saúde já foram vitimados pela Covid-19. Relembre:

Uma profissional de enfermagem de 53 anos que atuava no Hospital Alberto Cavalcanti, de Belo Horizonte, e também na Unidade de Pronto Atendimento Ressaca, em Contagem, na Região Metropolitana, morreu no dia 20 de abril. Ela estava internada no Hospital Municipal de Contagem, após contrair o coronavírus. A informação foi confirmada pela Prefeitura da cidade no dia 20, mas o óbito só entrou no balanço oficial do governo no dia 25 de abril.

Técnica de enfermagem foi a primeira vítima da Covid-19, em Contagem

A servidora Maria Aparecida Andrade tinha 53 anos e apresentou teste positivo para a Covid-19 no dia 8 de abril, com determinação de afastamento de sete dias de suas atividades profissionais. O exame e o atestado médico foram feitos em Belo Horizonte. Em 13 de abril, cinco dias após ser afastada, ela procurou atendimento na UPA Ressaca e foi transferida para o Hospital Municipal de Contagem.

Pela idade, Maria Aparecida não era considerada do grupo de risco. Mas tinha doença cardíaca. E, por isso, poderia ter pedido o afastamento do trabalho. Mas nunca fez essa opção. E, como os colegas não sabiam da doença, ninguém a aconselhou a ficar em casa.

Cida, como era carinhosamente chamada, era uma apaixonada pela profissão.

“Aqui a gente passa 12 horas, às vezes até mais que com os nossos familiares. Nos consideramos uma família. Então, nós perdemos uma integrante da nossa família. E esse buraco vai ficar, não vai ter jeito de cobrir”, lamentou a amiga Kelly Ribeiro Alves, enfermeira que trabalhava com Cida.

Ela contou que todos os colegas ficaram muito assustados com a morte de Maria Aparecida, por estarem todos “na linha de frente” do enfrentamento ao coronavírus.

Já o médico pediatra Ramon Pinto Lobo, de 69 anos, morreu no dia 6 de maio, no Biocor, em Nova Lima. Ele era morador de Jequitinhonha.

Médico pediatra de Jequitinhonha morreu por Covid-19 no Hospital Biocor, em Nova Lima — Foto: Reprodução/Redes Sociais

De acordo com o enfermeiro e coordenador da Vigilância em Saúde de Jequitinhonha, ele tinha diabetes, hipertensão e doença cardiovascular crônica.

Além de ter uma clínica particular, Ramon Pinto Lobo era médico de uma unidade de saúde de Jequitinhonha, onde trabalhou até o dia 17 de abril, e plantonista do Hospital São Miguel. Seu último plantão foi no dia 13 de abril.

A técnica de enfermagem Marilene do Prado Tavares, de 47 anos, morreu de coronavírus em Varginha. — Foto: Reprodução / EPTV

Marilene trabalhava há 25 anos no setor de oncologia do Hospital Bom Pastor e estava internada no CTI desde o dia 20 de abril. A morte da profissional de saúde foi constatada às 8h de 18 de maio.

A Prefeitura de Varginha emitiu uma nota de pesar pela morte da servidora:

“Lamentamos muito ao comunicarmos o passamento da Técnica em Enfermagem Marilene do Prado Tavares, 47 anos, às 08 horas da manhã do dia de hoje, a qual trabalhou 25 anos na sua função no HBP, destacando-se pelo seu compromisso, simpatia e carinho com todos. Nossas efusivas homenagens há esta dileta servidora, é nossos sentimentos a seus familiares. Que Deus os conforte”, diz a nota.

No mesmo dia da morte, familiares, colegas e amigos da técnica de enfermagem fizeram um cortejo em homenagem à vida e profissionalismo da servidora da saúde. Sob aplausos dos colegas, o corpo deixou o hospital para ser sepultado.

Outra técnica de enfermagem que morreu foi a Maria Elza Oliveira Andrade, que trabalhava havia mais de 35 anos na Santa Casa de Capitão Enéas e veio a óbito no dia 1º de junho.

Técnica de enfermagem morreu aos 55 anos — Foto: Arquivo pessoal

Bila, como era popularmente conhecida na cidade com pouco mais de 14 mil habitantes, amava a profissão e estava sempre pronta para servir o próximo, conforme relato dos colegas.

“Ela era caridosa, brincalhona e muito alegre. Uma profissional exemplar que morreu fazendo o que amava. Todos gostavam dela no hospital, foi uma grande perda para o município”, disse o ex-diretor da unidade, Gilson Farias dos Santos, que trabalhou durante três anos com a técnica.

“Estou aqui para servir, fiz um juramento e vou cumprir”. Essas foram as palavras ditas pela técnica de enfermagem ao ser orientada para se afastar nesse período da pandemia porque era hipertensa e estava no grupo de risco.

“Falei várias vezes que a doença era perigosa, mas Bila queria continuar cuidando dos pacientes. Ela deixou um vazio enorme no hospital, era nosso ponto de referência aqui. Uma pessoa amável e carinhosa com todos”, contou Joilma Veloso e Silva, funcionária do setor administrativo há 30 anos.

Ela estava internada desde o dia 22 de maio em um hospital de Montes Claros. O corpo da profissional foi enterrado de Capitão Enéas na manhã desta terça-feira (2). Moradores se reuniram na entrada da cidade para acompanhar o cortejo até o cemitério e prestar a última homenagem. Ela era casada e tinha três filhos adultos.

Amigos fizeram uma carreata na entrada da cidade para se despedirem da técnica de enfermagem — Foto: Arquivo pessoal

A técnica de enfermagem Andreisa Aparecida Eva, de Lavras (MG), morreu com apenas 33 anos, no dia 24 de junho. Ela trabalhava no Hospital Vaz Monteiro, em Lavras, desde 2010. Sua morte aconteceu após ter uma miocardite e um edema agudo de pulmão, mas dois dias depois foi constatado que a causa da morte foi a Covid-19.

Andreisa Aparecida Eva era técnica de enfermagem e trabalhava no Hospital Vaz Monteiro desde 2010. — Foto: Reprodução



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