A decisão do presidente Donald Trump de sobretaxar em 25% a importação de aço e de 10% de alumínio para todos os países, segundo fontes da Casa Branca a jornais americanos nesta quinta-feira, é considerada a “menos pior” para o Brasil, segundo disse na segunda-feria o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge de Lima, que esteve no começo da semana com autoridades americanas tratando do tema. O Brasil exporta 5 milhões de toneladas de aço para os EUA por ano, um terço das vendas brasileiras ao exterior.

A Secretaria de Comércio dos EUA havia sinalizado, além desta proposta que teria sido aceita por Trump, a possibilidade de criar uma sobretaxa de 53% a um grupo de 12 países – Brasil, China, Rússia e Turquia entre eles – ou de criar cotas de importação. Lima havia dito a jornalistas brasileiros que uma tarfia linear a todos os países seria menos danosa para o país. Trump só deve assinar a medida na próxima semana, embora seu prazo para decidir sobre as propostas da secretaria de Comércio seja até o dia 11 de abril.

Em sua argumentação, o ministro lembrou a seu colega americano, Wilbur Ross (com quem se encontrou na terça-feira), que 80% da exportação brasileira de aço aos EUA é de produtos semiacabados, ou seja, ajuda a indústria americana. E que, para isso, o Brasil importa carvão dos EUA. O Brasil já é o segundo maior exportador de aço aos EUA, atrás apenas do Canadá.

Na segunda-feira, em evento na Embaixada brasileira em Washington, representantes da indústria argumentavam que os EUA poderiam sofrer com restrições fortes ao aço brasileiro. Isso porque o produto exportado do Brasil é semiacabado e as empresas americanas foram idealizadas para processar este tipo de aço.

Estima-se que hoje há um excesso de produção no mundo de 750 milhões de toneladas, sendo que 400 milhões de toneladas seriam apenas de fábricas chinesas. Em diversos foruns multilaterais, Brasil e Estados Unidos atuam juntos para tentar conter esse excesso de produção.

Fonte: O Globo