O primeiro caso confirmado de Covid-19 no Brasil ocorreu em São Paulo e completa seis meses nesta quarta-feira (26).

Um homem de 61 anos, residente da capital paulista, que tinha feito uma viagem para a Itália entre 9 e 21 de fevereiro, é considerado o primeiro registro de contaminação da doença no país.

À época, ele procurou um serviço de saúde com sintomas respiratórios. A confirmação ocorreu no dia 26 de fevereiro, após ele ser submetido a dois exames que deram positivo para a infecção. Na ocasião, outras 30 pessoas da família do paciente foram colocadas em observação.

Desde então, os números da doença só cresceram no estado de São Paulo e no Brasil. Nesta terça-feira (25), o país registrava 3.674.176 casos e 116.666 mortes decorrentes da doença.

A primeira morte por conta do novo coronavírus no Brasil aconteceu em 12 de março – e não em 16 de março, como inicialmente se acreditava –, segundo o Ministério da Saúde. A informação foi revista pela pasta após resultados de exames laboratoriais e confirmada em julho.

A vítima, Rosana Aparecida Urbano, de 57 anos, foi internada no Hospital Municipal Doutor Carmino Cariccio, na Zona Leste da cidade, um dia antes de falecer em decorrência da doença.

A filha de Rosana contou à reportagem da TV Globo que após a morte da mãe, também perdeu os os avós e dois tios por conta da doença.

Em todo o Brasil, já são 116.666 mortes pela doença desde o início da pandemia, com 3.674.176 casos confirmados da infecção, segundo os dados do consórcio dos veículos de imprensa desta terça-feira (25).

Ministério da Saúde confirma primeiro caso do novo coronavírus no Brasil

Nas últimas 24 horas foram registrados 407 novos óbitos e 9.190 casos confirmados da doença no estado de São Paulo, que atingiu 28.505 óbitos no total e 765.670 casos confirmados da infecção, segundo a Secretaria de Saúde.

São Paulo está três meses com média de mortes por coronavírus acima de 200 por dia e no sábado (8) bateu a marca de 25 mil mortes por coronavírus. É como se a cidade de Monte Aprazível, localizada na região de São José do Rio Preto, tivesse toda sua população dizimada.

Foram necessários 100 dias até que a curva epidemiológica de mortes parasse de acelerar no estado, mas o crescimento se estabilizou no patamar mais alto, o chamado platô, sem que houvesse uma queda significativa na sequência.

A média diária de mortes no estado está acima de 200 há 90 dias, e chegou a ficar acima de 250 por várias vezes durante esse período. É como se uma aeronave de grande porte caísse diariamente no estado, matando todas as vítimas a bordo. A estabilidade de mortes em um patamar tão elevado, comparada à queda de um avião por dia, preocupa os especialistas.

A marca de 25 mil mortos representa um quarto do total das mortes no Brasil pela Covid-19, que superaram 100 mil também no sábado (8). Durante os cinco meses que separam essa marca da primeira morte, confirmada no dia 12 de março, muita coisa mudou nas cidades. Parques, igrejas e escritórios fecharam suas portas, assim como padarias, bares e casas noturnas. Reuniões de amigos e familiares passaram a ser realizadas online e o ensino teve que se adaptar rapidamente para o modelo à distância.

Na tentativa de conter a evolução da pandemia o governo decretou a quarentena no dia 24 de março, a qual obrigou o fechamento do comércio e manteve apenas os serviços essenciais.

16 de julho – Um carro é visto entre sepulturas no Cemitério Vila Formosa, em meio ao surto de coronavírus (Covid-19), em São Paulo. Foto tirada por um drone — Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Mais de 50 mil bares e restaurantes fecharam as portas em definitivo no estado, conforme dados da associação responsável pelo setor. Outros, permanecem fechados ou tentando reabrir aos poucos, tanto devido à queda no consumo quanto às dificuldades financeiras e sanitárias de retomada. Ao todo, 250 mil estabelecimentos desse tipo funcional no estado e 55 mil na capital, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Dificuldades sentidas no comércio se refletiram em demissões. Apenas no setor de bares e restaurantes, a Abrasel estima que cerca de 300 mil pessoas ficaram desempregadas durante a pandemia.

A taxa de desemprego registrada na cidade de São Paulo foi de 13,2%, percentual maior que o do estado de São Paulo que registrou 12,2% entre pessoas com mais de 14 anos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Durante a pandemia, 1 milhão de brasileiros perderam o emprego, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O reflexo do desemprego também foi sentido no número de famílias despejadas ou ameaçadas de despejo no estado de São Paulo, foram 2.500 apenas apenas durante a pandemia, segundo o Observatório das Favelas, grupo de pesquisas e defesa da moradia na região metropolitana de São Paulo.

Dados do estado e da cidade de São Paulo durante a quarentena. — Foto: Arte/G1

Com uma menor quantidade de veículos nas ruas, o número de acidentes de trânsito diminuiu 30% no estado de São Paulo e passou de 51,3 mil entre março e junho de 2019 para 35,6 mil em 2020, a queda foi a maior já registrada desde 2015 nesse período. Já o número de mortes caiu 22%, sendo 1.167 em 2020 e 1.513 em 2019, de acordo com dados do Infosiga SP.

Na cidade de São Paulo, a lentidão chegou a cair de cerca de 100 quilômetros para 5 quilômetros no início da quarentena (leia mais abaixo).

Apesar das ruas vazias,a quantidade de motociclistas circulando pela cidade aumentou devido ao crescimento da demanda por serviços de entrega por aplicativo. De acordo com o Instituto Sou da Paz, em maio o número de motociclistas mortos no trânsito cresceu 7% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 167 neste mês 2019 e 179 no mesmo período de 2020.

Trânsito em São Paulo em abril — Foto: Ronaldo Silva/Futura Press/Estadão Conteúdo

O isolamento social também trouxe consequências para os números de casos de violência doméstica registrados no estado de São Paulo.

Já os casos de feminicídio registraram um aumento de 41,4% entre os meses de março e abril de 2020 no estado de São Paulo, comparado ao mesmo período do ano passado. Os dados fazem parte do estudo “Violência Doméstica durante a pandemia de Covid-19“, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Os estoques da Fundação pró-sangue também sentiram os efeitos do isolamento e passaram por uma queda histórica. Desde o início da pandemia do coronavírus, o número de doadores de sangue caiu cerca de 50% no estado de São Paulo.

De acordo com o diretor técnico e científico da instituição, Alfredo Medrone, diminuição dos estoques é histórica, não pela intensidade, mas pelo prolongamento.

As aulas presenciais foram suspensas no dia 21 de março no estado. Na cidade de São Paulo, a medida significou uma redução de 50% no número de pessoas que usam transporte público. Crianças, pais e professores tiveram de se adaptar à nova dinâmica, com aulas à distância pela internet.

O número de pedidos de transferência de estudantes de colégios particulares para escolas estaduais dobrou entre os meses de abril e junho de 2020, em comparação com o mesmo período do ano passado em todo o estado de São Paulo. De acordo com a Secretaria Estadual da Educação, transferências saltaram de 3.762 para 7.439, o que equivale a uma alta de 98%.

Aulas presenciais também foram suspensas em universidades, ensino técnico e em cursos gerais. Dentre as universidades particulares de São Paulo, a inadimplência dos alunos com a mensalidade subiu 73% na pandemia.

Os preparativos para iniciar a retomada das aulas presenciais começaram em abril com estudos do governo indicando que eventual retomada deveria ser com rodízio de estudantes, permitindo a manutenção do distanciamento social.

Com a continuidade das mortes e da contaminação pela Covid em alta, o governo de São Paulo adiou, no início de agosto, a volta das aulas presenciais apenas para a partir de outubro de forma gradual.

Drone mostra Centro de São Paulo vazio durante primeira semana de quarentena — Foto: Giaccomo Voccio/G1

Na capital, a cidade que nunca para, parou, e as ruas barulhentas chegaram a silenciar. O aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, o maior terminal do Brasil e da América Latina, que chega a receber 120 mil passageiros em um dia, teve a movimentação reduzida em 85%, com apenas 15 mil em junho de 2020.

Já o Aeroporto de Congonhas, localizado na Zona Sul da capital, passou de 13.460 pousos e decolagens mensais, em fevereiro, antes da Covid-19 chegar, para apenas 51 operações em maio.

Pátio do aeroporto de Congonhas vazio em março — Foto: TV Globo/Divulgação

No primeiro momento, a epidemia avançou com mais força na cidade, que já acumula 10 mil mortes. A capital conseguiu reduzir parte dos novos registros, mas a doença ainda não foi controlada, e avança com mais intensidade no Interior.

No entanto, apesar da reabertura, as marcas da pandemia ainda estão sendo deixadas e sentidas na economia. Ruas que antes eram repletas de estabelecimentos trocaram as placas de lojas, por anúncios de ‘aluga-se’ ou ‘vende-se’.

O número de imóveis vazios, principalmente, os comerciais, cresceu na cidade São Paulo. De acordo com a Buildings, empresa especializada em pesquisa imobiliária corporativa, 13,58% imóveis corporativos de alto padrão foram desocupados durante a pandemia.

Uma pesquisa do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP) mostrou um crescimento de 50% no número de paulistanos que não conseguiram pagar o aluguel durante a pandemia. A inadimplência foi de 4,94% em fevereiro para 7,35% em março, primeiro mês da pandemia do novo coronavírus.

Imóvel para alugar na Alameda Lorena, nos Jardins — Foto: Cíntia Acayaba/G1

Por outro lado, com a diminuição de carros nas ruas, a poluição diminuiu na cidade. Apenas na primeira semana da quarentena, a emissão de poluentes diminuiu 50% na capital em relação ao mesmo período antes do isolamento social, segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Apesar da flexibilização e da reabertura de serviços na cidade como academias, bares e restaurantes, o trânsito ainda não voltou a ser o que era antes das medidas de isolamento social. De acordo com dados da Companhia de Engenharia de Tráfefo, a lentidão no trânsito em São Paulo ainda é 70% menor do que a registrada antes da pandemia do coronavírus.

De acordo com um levantamento feito pelo G1 com dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e do aplicativo Waze, a média de lentidão na capital paulista antes da quarentena era de 101,5 quilômetros e na atual fase de flexibilização, é de 31 quilômetros. Apesar disso, o número é 5 vezes maior do que o registrado durante o período de rígido isolamento social imposto na cidade: só 5,9 quilômetros de lentidão.

Céu azul em julho em São Paulo — Foto: Aloísio Cardoso/Fotoarena/AE

Atualização do Plano São Paulo nesta sexta-feira (7 de agosto). — Foto: Divulgação/Governo de SP

O governo de São Paulo atualizou nesta sexta-feira (7) a situação das regiões no Plano São Paulo de reabertura gradual das atividades econômicas e anunciou que nove regiões avançaram para a fase amarela, que permite o funcionamento de bares, restaurantes, comércio e outras atividades não essenciais. Apenas a Grande São Paulo Oeste foi rebaixada da fase amarela para a laranja. A cidade de São Paulo está classificada na fase amarela.

Os critérios que baseiam a classificação das regiões são:

  • ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs);
  • total de leitos por 100 mil habitantes;
  • variação de novas internações, em comparação com a semana anterior;
  • variação de novos casos confirmados, em comparação com a semana anterior;
  • variação de novos óbitos confirmados, em comparação com a semana anterior.
  • Na fase verde também é considerado óbitos e casos para cada 100 mil habitantes;

Esses critérios definem em qual das cinco fases de permissão de reabertura a região se encontra:

  • Fase 1 – Vermelha: Alerta máximo
  • Fase 2 – Laranja: Controle
  • Fase 3 – Amarela: Flexibilização
  • Fase 4 – Verde: Abertura parcial
  • Fase 5 – Azul: Normal controlado

Reabertura de setores da economia:

  • Fase vermelha: Permitido o funcionamento apenas de serviços essenciais.
  • Fase laranja: Também podem reabrir imobiliárias, concessionárias, escritórios, comércio e shoppings podem reabrir, mas com restrições.
  • Fase Amarela: Também podem reabrir salões de beleza, bares, restaurantes, academias, parques e atividades culturais com público sentado podem funcionar, mas com restrições.
  • Fase verde: Também podem reabrir eventos, convenções e atividades culturais com público em pé poderão voltar a acontecer quando houver uma estabilidade de quatro semanas do estado de São Paulo na fase verde (4), também com restrições.



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