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Em 30 dias, 219 pessoas morreram por causa do novo coronavírus na cidade do Rio, segundo o Painel Rio Covid-19, da Prefeitura.

Em São Paulo, que anunciou a primeira morte em 17 de março, foram 563 mortos pela doença no mesmo número de dias, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde.

Apesar da diferença de 344 mortes entre as duas metrópoles, especialistas afirmam que a evolução da doença é bem parecida em ambas.

“As curvas são bastante semelhantes — embora em escalas diferentes”, afirmou Carlos Magno Fortaleza, epidemiologista da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), em Botucatu.

“É um crescimento ligeiramente desacelerado por conta das medidas de isolamento”, destacou.

“Esses dois municípios estão segurando a disseminação da Covid-19 para o resto do país. O que é feito ali em termos de isolamento social reflete em outras regiões”, explicou.

Fortaleza lembrou que “não à toa” São Paulo e Rio de Janeiro são as cidades com o maior número de casos. “São as que recebem mais voos internacionais, da Europa especificamente”, detalhou.

Evolução dos casos de Covid-19 em quatro metrópoles nos primeiros 30 dias de propagação — Foto: Arte/G1

Evolução dos casos de Covid-19 em quatro metrópoles nos primeiros 30 dias de propagação — Foto: Arte/G1

As curvas de mortes carioca e paulistana também são similares à de Los Angeles, na Califórnia, na Costa Oeste dos Estados Unidos. Lá, nos 30 dias após o primeiro óbito, em 11 de março, o coronavírus matou 223 pessoas.

Em situação diferente está Nova York, onde 11 mil pessoas já morreram — sete mil nos 30 primeiros dias.

“A explosão de casos em Nova York tem uma razão bastante clara: é um local com uma grande densidade demográfica e que não realizou a tempo as medidas de isolamento social”, explicou o epidemiologista.

“Nós podemos traçar um paralelo. O Trump, nas primeiras semanas, teve um discurso negacionista — que nós vemos aqui no Brasil”, emendou Fortaleza.

“O Brasil teve mais tempo para se preparar, realizou um isolamento social não ideal, mas razoável, nas grandes metrópoles e nos primeiros dias da pandemia. No entanto, esse isolamento começa a relaxar, e com esse relaxamento nós podemos sim ter um aumento explosivo de mortes e chegar a uma situação semelhante à dos Estados Unidos”, alertou.

Paramédicos transportam paciente para o centro de emergência do Maimonides Medical Center, em Nova York, na terça-feira (14) — Foto: Reuters/Brendan McDermid Paramédicos transportam paciente para o centro de emergência do Maimonides Medical Center, em Nova York, na terça-feira (14) — Foto: Reuters/Brendan McDermid

Paramédicos transportam paciente para o centro de emergência do Maimonides Medical Center, em Nova York, na terça-feira (14) — Foto: Reuters/Brendan McDermid

Nova York tem características diferentes de Los Angeles. A densidade é menor na Califórnia, onde o carro se sobrepõe ao transporte público, mas as autoridades tardaram a agir.

Vítor Sudbrack, físico da Unesp e integrante do Observatório Covid-19 BR, que reúne especialistas de outras seis universidades, atenta para o fato de que Los Angeles registrou a primeira morte em 11 de março, três dias antes de Nova York, mas tem contido a doença.

“De populações mais jovens e condições de hospitalização melhores, se espera um tempo de duplicação maior”, diz Sudbrack.

Tempo de duplicação é uma das formas de medir a velocidade de uma pandemia. O observatório estima que o número de mortos pela Covid-19 dobre nos EUA e no Brasil a cada seis dias — no início da crise, os óbitos duplicavam a cada dois dias.

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