Importadores que participam da feira de calçados e acessórios Francal aprovam o preço atual do calçado brasileiro. É o que disseram alguns deles à reportagem da ANBA, segundo dia da mostra, no Parque Anhembi, em São Paulo. “É um bom preço”, afirmou Piyush Shah, chefe de compras da shoexpress, marca das lojas de calçados do Landmark Group, dos Emirados Árabes Unidos, um dos maiores varejistas de calçados do Oriente Médio.

A Francal começou neste domingo. Nesta segunda-feira era possível ver uma grande quantidade de importadores circulando pelos corredores da mostra, algo comemorado pelos expositores. O segmento vem fazendo esforço extra para exportar em um momento de vendas baixas do mercado doméstico. Se depender do equatoriano Manuel Ortiz, dono das lojas Tu Calzado, as empresas vão, sim, vender mais. “Vou comprar um pouquinho mais”, afirmou ele.

Ortiz constatou que os preços do calçado brasileiro estão um pouco mais altos que no começo do ano, mas ainda assim os considera num bom patamar. Na loja, o produto brasileiro representa 95% do total. “O preço está bom”, disse ele, destacando ainda a qualidade.

Assim opina também Julio Barrios, dono da Martina Shoes, do Paraguai, que elogia o acabamento do calçado brasileiro. O importador só não vai aumentar as suas compras em relação ao último ano porque a situação econômica do seu país não é boa. “Dependemos muito do Brasil e da Argentina”, justifica, sobre a economia.

O importador Shah afirma que a empresa para a qual trabalha também pretende aumentar as compras do calçado brasileiro neste ano. Nesta segunda-feira ele começava a circular pela feira e pretendia fazer negócio com as empresas Beira Rio, Suzana Santos e Itapuã, entre outras. A companhia importa entre 200 mil e 300 mil pares de calçado do Brasil ao ano.

O Landmark Group atua em várias áreas e entre as suas marcas estão a Shoe Mart e a shoexpress, lojas de calçados que se posicionam em diferentes segmentos, e a Max, de lojas de departamento que também comercializam calçados.

O preço médio do calçado exportado pelo Brasil entre janeiro e maio deste ano foi de US$ 7,56. O valor foi 6,3% menor do que o do mesmo período do ano passado. O dólar, que está valorizado em relação à moeda brasileira, vem favorecendo as exportações, mas elas ainda não conseguiram decolar. Nos cinco primeiros meses deste ano, elas caíram 4,7% em receita, com US$ 367,4 milhões, mas subiram em 1,7% em volume, para 48,6 milhões de pares.

Abdala Jamil Abdala, presidente da Francal, ressalta o crescimento de 1,7% no volume registrado no começo deste ano, o que chama de uma tênue recuperação. Ele acredita que é uma questão de tempo a volta da exportação em patamares anteriores, o necessário para recuperação dos clientes internacionais.

A indústria brasileira já chegou a exportar mais de 200 milhões de pares de calçados ao ano. Em 2015, o volume foi 124 milhões de pares e a receita com o mercado externo de US$ 960 milhões. O presidente da Francal Feiras afirma que a indústria brasileira de calçados tem o DNA da exportação e que a receita do ano passado foi conseguida graças à qualidade, o design e o conforto dos produtos fabricados.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, acredita também que há boas perspectivas no médio e longo prazo para a exportação do setor. “Este ano já percebemos uma leve recuperação”, afirma, sobre os números registrados até maio.

Segundo Klein, entre os fatores que não permitiram que as exportações subissem mais, apesar do real desvalorizado, está a instabilidade do câmbio, que não dá segurança aos operadores de comércio exterior para fixarem seus preços. Mas o presidente da Abicalçados está otimista quanto ao início da Primavera/Verão no Hemisfério Norte e acha que a estação pode ajudar a acelerar o processo de recuperação das exportações brasileiras.

A Francal está atuando também para ajudar o setor a alavancar as exportações. Nesta edição, a organização investiu forte no convite aos estrangeiros, bancando a hospedagem de convidados. De acordo com Abdala, os expositores relataram que estavam fazendo negócios com os importadores nestes primeiros dias de feira. O convite aos árabes para a Francal foi feito com a colaboração da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

Fonte: ANBA