É o fim do testar, testar, testar. A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou uma nova norma que limita as análises a casos secundários a situações de surto, aglomerados ou coabitantes, ou seja, quem teve contacto de alto risco, muito próximo e por mais de 15 minutos com alguém infetado com o novo coronavírus vai deixar de ser necessariamente submetido à análise para determinar se foi contagiado, avança o ‘Expresso’ na edição deste sábado.

A explicação para a nova regra? reduzir casos para fortalecer a economia e gerir melhor os testes para o inverno, assegurando a contenção da pandemia, diz o responsável pelo Gabinete de Crise da covid na região de Lisboa, Rui Portugal, citado elo mesmo jornal.

A indicação da DGS está a provocar críticas severas na comunidade médica: o Governo é acusado de sacrificar a contenção do vírus para reduzir o número de infetados, melhorando a imagem do país.

A Ordem dos Médicos (OM) afirma ao Expresso que a alteração viola a principal recomendação da Organização Mundial da Saúde. “Custa a acreditar que a DGS tenha publicado esta norma. Está a ser violada a principal regra da Organização Mundial da Saúde e que sempre se manteve inalterada: testar, testar, testar”, aponta Miguel Guimarães, bastonário dos médicos. “A medida só faz sentido se for para reforçar o turismo, porque assim deixamos de ter novos casos”, acrescenta.

O Gabinete de Crise da OM, presidido pelo pneumologista e consultor da DGS Filipe Froes, explica que “as implicações desta norma preocupam, porque a OM defendeu sempre a realização, o mais precocemente possível, do teste de diagnóstico laboratorial nos casos suspeitos e nos contactos de alto risco para caracterizar a realidade epidemiológica e atuar em conformidade”. Mas não só: a realização de testes às pessoas mais próximas de um infetado também permite “evitar o permanente arrastar da propagação, que nos fragiliza para uma possível segunda onda no inverno”.

Já os Peritos consultores da DGS encarregados, precisamente, da revisão de normas para a pandemia enviaram uma carta à diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, a comunicar que cessam funções se a regra não for retirada. “Se há contactos de alto risco que ficam em casa mas não fizeram o teste e são positivos podem eles próprios ter os seus contactos, e assim perde-se a possibilidade de fazer o diagnóstico precoce de contactos secundários e vai-se perpetuando a transmissão na comunidade”, afirma António Diniz, pneumologista e antigo diretor do Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida da DGS, um dos signatários da missiva enviada a Graça Freitas.



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