O Porto de Santos sofrerá mais uma redução no calado de seus navios, prejudicando a competitividade das instalações, conforme apurou A Tribuna com exclusividade. A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a Autoridade Portuária, reduzirá em 50 centímetros, de 13,2 para 12,7 metros, o calado máximo permitido no trecho do canal de navegação que vai da Torre Grande até o ponto 2 da Alemoa. Nessa região, está a maioria dos terminais de contêineres e açucareiros do complexo marítimo.

Essa será a segunda restrição às condições de navegação do Porto implantada nos últimos 15 dias. No dia 19 do mês passado, foi diminuído em 90 cm o calado máximo nas áreas de manobras em frente ao cais da Brasil Terminal Portuário (BTP), o que acabou encarecendo as operações da instalação.

A nova redução no calado foi proposta pela Capitania dos Portos de São Paulo, a Autoridade Marítima, em ofício enviado ao diretor-presidente da Codesp, Alex Oliva, na última quarta-feira. A medida foi adotada após o órgão militar analisar os levantamentos hidrográficos realizados pela própria Docas.

Esses levantamentos verificam a profundidade do canal. Desde fevereiro, os trechos 2, 3 e 4 – que vão do Entreposto de Pesca, na Ponta da Praia, até a Alemoa – não estão sendo dragados, acumulando sedimentos e, portanto, perdendo profundidade.

O calado é a altura do casco dos navios que fica submersa. Com um canal mais raso, por uma questão de segurança, essa medida tem de ser reduzida. Como consequência, as embarcações têm de diminuir os pesos das cargas que levam, tornando as viagens proporcionalmente mais caras.

O diretor-presidente da Codesp, Alex Oliva, confirmou, ontem, que recebeu o ofício da Capitania dos Portos. Conforme apurou A Tribuna, provavelmente hoje, pela manhã, a Companhia acatará a proposta do órgão militar e fará a correção no calado no trecho especificado. Nas demais áreas do canal de navegação, do Entreposto de Pesca até a Barra de Santos e do Ponto 2 da Alemoa até o interior do canal, os limites máximos do calado não foram alterados, permanecendo em 13,2 e 11,2 metros, respectivamente.

Solução

A fim de retomar a dragagem nos trechos 2, 3 e 4 do canal, a Codesp planeja licitar o serviço emergencialmente. O texto do edital da nova concorrência ficou pronto ontem e será apresentado na reunião da diretoria da companhia hoje, para ser aprovado. Na segunda-feira, ele será apreciado pelo Conselho de Administração (Consad) da empresa, a quem cabe o aval definitivo para a abertura da licitação.

Essa concorrência serve como um plano alternativo para a retomada do serviço. Originalmente, a Docas planejava incluir o serviço de retirada de sedimentos no contrato da dragagem do Trecho 1, que está em vigor. A manobra foi questionada por integrantes do Consad, que não ficaram seguros sobre a regularidade da medida.

Para eliminar essas dúvidas, a diretoria da Codesp passou os últimos dois dias em Brasília, consultando o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil e o Tribunal de Contas da União (TCU). Conforme apurou A Tribuna, as respostas dos órgãos foram positivas.

Fonte: A Tribuna