O Piauí se prepara para receber seu primeiro porto. Ainda não é o de Luís Correia, cuja obra dura décadas e não há nenhuma previsão de término, mas o Porto Seco de Teresina é a nova aposta do governo para facilitar o comércio das empresas piauienses com o mundo. Tanto exportações como importações serão alavancadas com o projeto que deve ter sua primeira etapa concluída no primeiro semestre de 2017 e vai gerar muitos tributos para o estado.

A ideia foi motivada pelo crescimento das transações comerciais das empresas piauienses no exterior nos últimos anos. Apenas em abril de 2016, a Balança Comercial registrou um superávit de US$ 6.866.300.

De acordo com dados apresentados pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Tecnológico (Sedet), a exportação alcançou cifra de US$ 19.031.241, com crescimento de 36,08% em relação às exportações de março de 2016.

O Porto Seco de Teresina está em fase de elaboração do processo licitatório e os investimentos iniciais serão de R$ 8 milhões, que já foram garantidos pelo Governo do Estado.

Construído numa área de 69.067 m², localizado no Polo Industrial Sul, permitirá às empresas do Piauí facilitar as exportações e importações, além de facilitar os trâmites de mercadoria referentes à Receita Federal.

COMÉRCIO DO PIAUÍ MAIS INDEPENDENTE
Com o Porto Seco as empresas do Piauí deixarão de ser tão dependentes de estados como Maranhão, Ceará e Pernambuco. Além disso, as taxas recolhidas nesses trâmites gerarão receita para o estado.

Segundo Ted Wilson, presidente da Companhia de Terminais Alfandegados do Piauí, responsável pelo projeto do Porto Seco, o Piauí viverá uma nova fase de desenvolvimento. “O governador acreditou na nossa proposta e resolveu investir. As empresas que já são grandes vão diminuir os custos e as micro e pequenas empresas, que ainda não fazem comércio exterior, vão começar a fazer”, explicou.

PARCERIAS PARA CONCLUSÃO DO PROJETO
A Prefeitura de Teresina doou o terreno onde o Porto Seco será construído e a primeira fase inclui a construção da estrutura física. A segunda fase depende diretamente da Receita Federal que concluirá o processo de implantação.

“Estamos fazendo um estudo dentro das normas técnicas da Receita Federal, por isso a demora. Já estamos com a verba garantida e demoramos porque não podemos simplesmente construir, investir milhões e depois não atender as normas técnicas. Acredito que em 90 dias a gente inicia, para começar a construir esse ano e no primeiro semestre do ano que vem inaugurar. Só a parte da construção civil, dos galpões, serão investidos R$ 8 milhões. O projeto de equipamentos nós vamos fazer agora” conclui Ted Wilson.

COMO FUNCIONAM OS PORTOS SECOS NO BRASIL
O Brasil possui mais de 50 portos secos que armazenam as mercadorias do importador pelo período que este desejar, em regime de suspensão de impostos, podendo fazer a nacionalização fracionada. O mesmo pode acontecer na exportação, este sistema permite que o exportador utilize o Porto Seco para depositar sua carga e, a partir do momento que esta entra no Porto Seco, todos os documentos referentes à transação podem ser negociados normalmente como se a mercadoria já estivesse embarcada. Pelo sistema, o custo de armazenagem fica a cargo do importador e, assim que a carga é colocada dentro do porto seco, cessam as responsabilidades do exportador sobre ela.

MUITAS EMPRESAS BENEFICIADAS
Indústrias do estado que exportam e importam produtos serão beneficiadas diretamente com o projeto. HotSat, R. Damásio, Grupo Carvalho, Bombas Leão, Ferronorte e Houston são alguns exemplos que empresas que podem alavancar seus negócios.

O 180 divulgará uma série de matérias que explicarão a importância do Porto Seco para vários setores da economia. A série de reportagens trará ainda a opinião de especialistas na área e a expectativa das empresas com o projeto.

Fonte: 180 Graus