O canal de navegação do Porto de Santos no trecho 4 – entre o Armazém 6, no Paquetá, e o Terminal para Granéis Líquidos da Alemoa (Tegla), na altura do berço 2 – tem novos limites operacionais. Agora, navios com 13,2 metros de calado(distância vertical da parte do casco que permanece submersa) poderão trafegar da Barra de Santos até o ponto 2 da Alemoa. Esta é a primeira vez, na história recente do cais santista, que uma extensão tão grande do Canal do Estuário tem a mesma profundidade.

Mas nem todos os terminais próximos poderão receber embarcações destas dimensões, já que ainda será necessário concluir as obras de reforço de cais em alguns berços.

O aumento do limite do calado operacional foi definido sexta-feira (16). Após analisar os dados de batimetria encaminhados pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) definiu os novos parâmetros de navegação. A decisão foi tomada com o apoio da Praticagem de São Paulo.

Até sexta-feira(16), apenas navios com até 13 metros de calado podiam trafegar na região entre o Armazém 6 e as proximidades da Brasil Terminal Portuário (BTP). Agora, o ganho de profundidade se estendeu um pouco além e chegou até o
ponto 2 da Alemoa, que fica após a BTP.

O limite de 13,2 metros é o mesmo aplicado nos outros três trechos do canal de navegação, da Barra de Santos até o Armazém 6. Já do ponto 2 da Alemoa até o final do Porto, apenas navios com até 11,2 metros de calado podem trafegar.

Segundo o capitão-de-mar-e-guerra Ricardo Fernandes Gomes, comandante da CPSP, o aumento no limite do calado foi possível graças a uma dragagem feita pela Codesp, no ano passado. “Com base nesse levantamento hidrográfico que foi encaminhado ao CHM (Centro de Hidrografia da Marinha), após a dragagem feita pela Codesp, sugeri esse calado de 13,2 metros até a Alemoa 2”, explicou o capitão dos portos.

Mesmo com o ganho no calado, os terminais especializados em granéis líquidos da Alemoa só poderão se beneficiar da nova regra após o término das obras de reforço estrutural, que estão em andamento. O aprofundamento dos berços e a aferição da resistência mecânica da estrutura reformada são outros serviços necessários para a utilização das novas dimensões do canal de navegação nessa região.

De acordo com a Codesp, estão sendo investidos R$ 55 milhões na recuperação do píer da Alemoa. Até o momento, a estatal concluiu em torno de 50% do empreendimento. O projeto possibilitará a dragagem dos quatro berços até 14 metros.

“O aumento de calado é resultado do trabalho que a Codesp vem realizando, em conjunto com a Secretaria de Portos (SEP), através de contratações rápidas e dragagens cirúrgicas, objetivando não só manter, mas aumentar o calado, para oferecer melhores condições operacionais a todos os terminais portuários”, disse o diretor presidente da Codesp, Angelino Caputo e Oliveira.

BTP

A expectativa da Brasil Terminal Portuário, agora, é que as novas obras de dragagem resultem em profundidades ainda maiores. A ideia é alcançar patamares entre 15,4 e 15,7 metros de calado operacional em toda a extensão do canal de navegação. Isso permitirá o recebimento de navios com capacidade superior a 9 mil TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés).

“Estamos muito satisfeitos com o novo calado homologado, pois é indiscutível sua importância para os negócios da BTP no que se refere ao atendimento a nossos clientes, que passam a operar com navios cada vez maiores na costa brasileira”,afirmou o diretor-presidenteda BTP, Antonio Passaro.

Fonte: A Tribuna