Ações para aumentar a eficiência de um terminal na retroárea do Porto de Santos, reduzindo seu tempo de movimentação de contêineres de 30% a 50%, são o tema de uma pesquisa realizada por alunos do curso de Engenharia de Produção da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (Esamc) de Santos, na Ponta da Praia. De acordo com o estudo, a otimização das operações é possível com a compra de novos equipamentos e a implantação de novos procedimentos na instalação.

A pesquisa foi elaborada pelos estudantes Agnaldo Lima dos Santos, Alexandre Gomes Leão Gregório, Alexandre Baptista Martins Pereira, Sabrina Iraha Rocha e Vítor Luiz Crisóstomo da Silva Santana, com orientação do professor da disciplina de Projeto de Graduação Esamc (PGE) Alessandro Borraschi Ferreira.

O tema foi proposto pelos próprios alunos, após terem acesso a dados do terminal retroportuário de contêineres. “Os estudantes analisaram processos e perceberam oportunidades de melhorias. O objetivo da pesquisa foi aumentar a eficiência do terminal por meio de mudanças nos processos da empresa”, explicou o professor orientador.

A primeira melhoria proposta pelo grupo foi a compra de novos equipamentos para a movimentação de contêineres no pátio do terminal retroportuário, os RTGs. Atualmente, a instalação conta com guindastes elétricos, chamados de stackers e que não são tão ágeis como os aparelhos propostos.

O RTG é um pórtico que se desloca sobre pneus e é utilizado para movimentar contêineres nos pátios de terminais. “Usando como base as informações de fornecedores, os alunos apontaram que é possível dar mais agilidade às operações. A melhoria é de cerca de 30%”, explicou o professor.

O segundo apontamento dos graduandos foi a necessidade de implantação de um novo modelo de manutenção no terminal retroportuário. Para isso, sugeriram a compra de um software de planejamento e mudanças nos processos de reparos. Com isso, segundo eles, será possível agilizar e melhorar a execução dos procedimentos necessários para manter o funcionamento dos equipamentos.

Medidas para o controle do estoque de produtos no terminal e um plano de capacitação da mão de obra, com o envolvimento de todos os níveis de profissionais da empresa, também estão entre os apontamentos dos alunos da Esamc-Santos.

“Acredito que o diferencial da nossa pesquisa seja a junção de todas as alternativas para otimizar as operações do terminal. Tentamos entender todo o funcionamento e fazer algo mais abrangente do que apenas indicar a troca de equipamentos”, destacou Sabrina Rocha.

Etapas

De acordo com o professor, o estudo foi realizado em duas etapas. Na primeira, os alunos iniciaram a análise dos processos e os diagnósticos de problemas que impediam uma melhor produtividade do terminal retroportuário. Em seguida, eles se dedicaram a propor melhorias, com base nas informações obtidas na etapa inicial dos trabalhos.

De acordo com os alunos, o levantamento de dados da instalação portuária foi uma das principais dificuldades no desenvolvimento da pesquisa.

“Precisamos utilizar alguns dados projetados com base em outras empresas, pois não tivemos acesso a algumas informações do próprio terminal. E também contamos com informações de um ex-aluno da instituição que chegou a fazer parte do nosso grupo”, explicou Sabrina.

Investimentos

Compra de novos equipamentos, melhoria de procedimentos operacionais e capacitação de mão de obra. Esta é a receita básica para aumentar a eficiência dos terminais retroportuários do cais santista, segundo o estudo dos alunos de Engenharia de Produção da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (Esamc) de Santos, Segundo o professor Alessandro Borraschi Ferreira, a oferta de instalações deste tipo é boa, mas ainda há o que melhorar nas operações.

O desafio é realizar essas melhorias atualmente, quando as possibilidades de investimento são poucas devido à crise política e à instabilidade econômica que a acompanha.

“Temos novos terminais que estão quebrando paradigmas e até alguns aspectos culturais. É preciso somar boas práticas e garantir um nível de tecnologia diferenciado”, destacou o docente.

A opinião é compartilhada pelos alunos pesquisadores. Para Alexandre Gomes Leão Gregório, que também é despachante aduaneiro , é fundamental reduzir custos e o tempo de operação. Em sua profissão, ele percorre terminais portuários e consegue identificar os gargalos operacionais das instalações do Porto de Santos.

“A visão do cliente é justamente a de aumentar a disponibilidade da chegada de mercadorias. Ele quer que sua carga alimente a cadeia produtiva e isso precisa ser feito com agilidade”, destacou.

Vítor Luiz Crisóstomo da Silva Santana é outro integrante do grupo que tem estreita ligação com o setor portuário. Ele começou a trabalhar aos 15 anos no complexo portuário e, pelo menos durante sete anos, atuou em uma empresa de logística no cais santista.

Para Santana, mesmo em um momento de crise econômica, surgem oportunidades para novos investimentos nesse mercado. Isso acontece, principalmente, por conta do objetivo de reduzir custos nas instalações portuárias.

“Temos gargalos e uma tecnologia obsoleta na comparação com outros portos, como os chineses e o de Roterdã, na Holanda. É preciso dar um ganho de produtividade para as empresas e para o Porto de Santos, que pode ter ainda maior notoriedade perante o mundo”, afirmou o graduando.

Fonte: A Tribuna