Os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, a epidemiologista Maria Amélia Veras, a pneumologista Margareth Dalcolmo e o biólogo Atila Iamarino participaram neste domingo (12) de um debate na GloboNews sobre a pandemia do novo coronavírus.

Ministros da Saúde no governo de Jair Bolsonaro, Mandetta e Teich deixaram o cargo em razão de divergências com o presidente na estratégia para enfrentar a pandemia.

Médico e ex-deputado federal, Mandetta era o ministro da Saúde quando o Brasil registrou o primeiro caso de Covid-19, em fevereiro. Ele foi substituído em 17 de abril por Teich. Médico e empresário, Teich pediu demissão em 15 de maio.

Desde a saída de Teich, o general do Exército Eduardo Pazuello, sem experiência prévia em saúde pública, responde de forma interina pelo Ministério da Saúde.

Segundo dados consolidados às 20h deste domingo por um consórcio de veículos de imprensa, o Brasil teve 659 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, chegando ao total de 72.151 óbitos.

Com isso, a média móvel de novas mortes na última semana foi de 1.036 por dia, uma variação de 4% em relação aos óbitos registrados em 14 dias. Em casos confirmados foram 25.364 registrados no último dia, com o total de 1.866.176 de brasileiros infectados pelo novo coronavírus.

‘A partir de setembro, o novo normal vai ser a tônica’, diz Mandetta

Questionado sobre os estágios da pandemia, Mandetta declarou que mantém as previsões que indicam diferentes fases da epidemia pelo país, com uma melhora em setembro. Ele alertou para o risco de eventuais altas de casos e destacou a necessidade de manutenção de cuidados, como uso de máscara.

“Acho que a gente vai até setembro passando por essa onda maior. A partir de setembro, esse ‘novo normal’, com distanciamento relativo, mas com as cidades funcionando vai ser a tônica”, disse o ex-ministro da Saúde.

Teich: ‘Falta de informação é um dos maiores problemas que temos hoje’

Teich: ‘Falta de informação é um dos maiores problemas que temos hoje’

Sucessor de Mandetta, Teich voltou a abordar a falta de informações precisas para traçar as estratégias de enfrentamento à Covid-19. Segundo ele, o conhecimento sobre distanciamento social ‘é o mesmo’ do início da pandemia, com falta de critérios técnicos para planejar a saída do isolamento.

“Da mesma forma que a gente fala que tem que tratar o medicamento de uma forma científica, eu acho que a gente está tratando muito pouco a estratégia de distanciamento de uma forma científica”, declarou o ex-ministro, que defendeu refazer o planejamento de enfrentamento à Covid-19 .

Maria Amélia Veras: ‘Não basta teste, tem que haver rastreamento e isolamento’

Maria Amélia Veras: ‘Não basta teste, tem que haver rastreamento e isolamento’

A epidemiologista Maria Amélia Veras também destacou a importância do uso da inteligência para analisar os dados sobre a Covid-19 e definir as ações a serem adotadas. Para ela, além de realização de testes, é preciso rastrear e isolar as pessoas infectadas, o que não ocorreu de forma organizada no país.

“Testes têm que ser usados de forma inteligente, em um programa de rastreamento, que se faça acompanhar de isolamento das pessoas doentes, de quarentena das pessoas que são comunicantes para que a gente interrompa as cadeias de transmissão”, declarou.

Pneumologista Margareth Dalcolmo fala sobre a onda de negacionismo

Pneumologista Margareth Dalcolmo fala sobre a onda de negacionismo

A pneumologista Margareth Dalcolmo foi questionada sobre o negaciosismo à gravidade do novo coronavírus. Sem citar a hidroxicloroquina, a especialista declarou que o Brasil ainda gasta “energia” em discussões sem “o menor sentido”, enquanto as atenções deveriam estar na tentativa de conter a epidemia em zonas mais pobres, por exemplo.

“Deveríamos estar pensando em qual é o protocolo que vou poder colaborar em uma comunidade mais carente, em um hospital, como vou fazer para dar segmento à produção de testes que estão sendo feitos e não têm uma logística de liberação para serem usados na rede do SUS”, afirmou.

Atila Iamarino: ‘Brasil é um dos poucos países que ainda discute cloroquina’

Atila Iamarino: ‘Brasil é um dos poucos países que ainda discute cloroquina’

O biólogo Atila Iamarino apontou a dificuldade para alinhar o discurso das autoridades de estados, municípios e União, bem como a falta de uma estratégia unificada das medidas de distanciamento social e de retomada das atividades econômicas. Segundo ele, o Brasil ainda discute tratamento sem eficácia comprovada.

“O Brasil é um dos únicos países que ainda segue discutindo cloroquina e outros tratamentos que muitos países abandonaram testes ou não seguem fazendo. É um dos poucos países em que os líderes não aparecem de máscara ou recomendando que as pessoas usem máscaras”, disse.



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