[ad_1]

Entre os pesquisadores que migraram para os estudos da Covid está o filho do seu Robson, o Rômulo.

“Eu trabalho como bilheteiro há 22 anos. A minha rotina é vender os bilhetes para que os clientes possam acessar e pegar o trem”, conta o bilheteiro Robson Castro Neres.

Quem olha para o espaço apertado da bilheteria, não imagina que a rotina do seu Robson, na verdade, é abrir horizontes. Ganha R$ 1.106 por mês, mas estamos diante de um grande investidor.

“Eu como pai eu tenho que acreditar nos meus filhos. Se eu não acreditar nos meus filhos, quem vai acreditar?”, diz.

O filho Rômulo, de 27 anos, é resultado desse investimento.

“Ele sempre discutiu muito abertamente com a gente sobre os nossos rumos, sobre a possibilidade de um impacto que a educação poderia ter nas nossas vidas”, afirma Rômulo Neres.

Mestre em microbiologia, Rômulo está concluindo o doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro. No ano passado, ficou nove meses nos Estados Unidos a convite da Universidade de Davis, na Califórnia, pesquisando chikungunya, tema de sua tese.

Trabalhando como bilheteiro numa estação da Baixada Fluminense, seu Robson foi fundamental para que o filho seguisse o caminho da pesquisa. A falta de condições materiais criou dificuldades, mas não impediu que Rômulo fosse sempre muito estimulado a se dedicar aos estudos. A principal herança que ele recebeu dos pais foi o amor pelos livros e pela ciência.

Todos na família do Jardim Primavera, em Duque de Caxias, dão prioridade aos estudos. A mãe, dona Helenita, passou no vestibular aos 40 anos e hoje trabalha numa escola com crianças especiais.

“Sempre tive sede e vontade de estudar de ter uma formação, mas nunca tive condições. Quando surgiu a possibilidade eu ingressei na faculdade de Pedagogia e a trajetória deles de educação já estava encaminhada”, diz a pedagoga Helenita Silva Neres, mãe de Rômulo.

A filha Ana Eliza é formada em Direito e acaba de passar na prova da OAB, que permite atuar como advogada.

“Meu pai quando fui fazer a prova da OAB, ele via alguma coisa na internet alguma coisa de Direito, olha tal coisa você pode usar tal artigo”, conta Ana Eliza Silva Neres, advogada e irmã de Rômulo. Eu só tenho a agradecer

Em junho deste ano, Rômulo ganhou uma bolsa de estudos da Dimension Sciences, organização americana de estímulo à ciência, para estudar a genética do coronavírus e suas mutações.

Devido à pandemia, ele está desenvolvendo a pesquisa no Brasil, nos laboratórios da UFRJ. Uma conquista que teve participação especial de seu Robson, que ajudou o filho a escolher entre a paixão pela música e a ciência.

“Ele falou uma vez para mim que queria ser musico, ele tinha uma banda. Eu falei, Rômulo, o mundo se acabando em doença, não que eu fosse contra isso, você pode fazer a diferença”, diz seu Robson.

“Quando é que o filho de duas pessoas que ganham salário mínimo pode chegar a realizar o sonho de fazer uma faculdade e viajar para outro país buscando a resposta que o mundo precisa. Então, é motivo de muita alegria”, afirma dona Helenita.

“Eu tenho um sentimento de gratidão muito grande. Um sentimento muito forte por tudo o que eles fizeram por mim até hoje. Se eu parar para pensar, eu consigo ver eles participando ativamente de todas as etapas da minha vida. Saber que eu tenho uma pessoa próxima a mim, que acredita no que eu faço, que confia no que eu faço, é o motor mais poderoso que eu poderia ter nesse período”, diz Rômulo.

[ad_2]

Source link