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Não é segredo que quem cumpre o isolamento social desde a chegada da pandemia não vê a hora de reencontrar amigos e familiares. E para garantir que as visitas sejam seguras, algumas pessoas têm recorrido aos testes sorológicos na esperança de já terem sido infectadas pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) e desenvolvido anticorpos, deixando assim de oferecer riscos para aqueles com quem se encontrariam.

Apesar da boa intenção, os especialistas entrevistados por VivaBem alertam que o teste não garante essa segurança imunológica.

“Os testes sorológicos partem de uma premissa que quem teve a doença fabrica anticorpos, mas nem todos os pacientes têm essa característica. Além disso, o teste está em ‘geração inicial’ e apresenta limitações. Há problemas de sensibilidade e especificidade que podem dar falso positivo e principalmente falso negativo”, explica Evaldo Stanislau, infectologista do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da USP) e membro da diretoria da SPI (Sociedade Paulista de Infectologia).

Sintomas são características mais importantes

“Imagine que seu resultado seja um falso positivo, e na verdade, você ainda estava incubando o vírus. Se fizer uma visita, digamos, para seus pais, eles poderiam ser contaminados”, indica Stanislau.

Há apenas uma maneira de saber com certeza que você já teve covid-19: se você ficou sintomático, fez o teste RT-PCR no tempo certo (a estimativa é entre três a sete dias após o aparecimento dos sintomas), e recebeu resultado positivo.

Momento ideal para fazer o teste de sorologia

De acordo com o infectologista do HC-SP, o organismo humano precisa de um tempo para fabricar os anticorpos, e esse período muda em cada pessoa (além do percentual que nunca chega a fabricar). O momento ideal para colher o teste é depois de cerca de 14 dias após o aparecimento dos sintomas.

“Se passar muito desse tempo, é mais um motivo para desconfiar do resultado. A sorologia deve ser encarada como recurso secundário. A interpretação dos resultados é complexa e pode frustrar o paciente e seu médico”, indica.

Quando há segurança?

Qualquer estratégia baseada somente em exames sorológicos, aponta Stanislau, é uma estratégia frágil.

Já para grupos que tiveram a confirmação de infecção do vírus há mais de 15 dias e decidem se encontrar, como foi o caso do cantor sertanejo Zé Neto e seus amigos, a situação é considerada segura.

“Núcleos de diversas pessoas que já passaram pela cronologia clínica de percepção de sintomas e teste RT-PCR, como também aconteceu na minha própria família, têm mais segurança para conviver entre si com naturalidade”, explica o médico.

Se não for o caso, a orientação independe do resultado da sorologia: todas as pessoas que se encontrarem devem usar máscara, manter um distanciamento físico de cerca de dois metros, e, se possível, ficarem em local aberto. “O ideal é que todos ajam como se estivessem infectados”, aponta.

É possível ser reinfectado pelo coronavírus?

“Até hoje, enquanto conversamos, não há nenhum caso descrito na literatura científica mundial que comprove a reinfecção. É uma possibilidade teórica, mas que acreditamos ser extremante improvável, já que existem dois caminhos para a imunização: por anticorpos ou celular (por ação dos glóbulos brancos)”, afirma Stanislau.

Para Orlando Ferreira, professor e pesquisador da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o principal ponto é que a comunidade científica ainda não sabe quanto tempo dura essa imunidade, embora muitos estejam otimistas que o tempo será suficiente para esperar pela vacina.

“Ainda não sabemos por quanto tempo o organismo vai continuar produzindo o anticorpo. Se ele produz agora, não sabemos se no ano que vem, se houver uma nova onda do coronavírus, ainda terá a proteção. Além disso, se o vírus sofrer mutação na região que seria o receptor da célula, o indivíduo teria que produzir outros anticorpos —começando a busca pela garantia da imunidade outra vez”, esclarece.

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