Está em fase de estudos um projeto para a construção de uma nova ferrovia para escoar a produção do oeste paranaense e Mato Grosso do Sul. A obra é defendida pela Faciap, Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná, concessionárias de ferrovias, cooperativas, lideranças e entidades do setor produtivo.

“Queremos uma ferrovia capaz de atrair cargas que hoje são escoadas por rodovia”, afirma o presidente da Faciap, Guido Bresolin Junior.
A malha usaria parte de trilhos existentes e de novos, cortando o Estado desde o Mato Grosso do Sul até o porto de Paranaguá. O projeto é avaliado em cerca de R$ 10 bilhões.

Uma delegação multissetorial de autoridades esteve no Japão, de 12 a 23 de maio, para buscar potenciais interessados em financiar a obra. Faziam parte da missão, além da Faciap, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Ferroeste, estatal do governo do Paraná, cooperativas, empresários do setor portuário e o deputado federal Luiz Nishimori (PR-PR). Durante a viagem, o projeto da ferrovia foi apresentado aos grupos Mitsui, Mitsubishi, Hitachi e Marubeni.

O presidente da Ferroeste, João Vicente Bresolin Araújo, acredita que o grande resultado da missão foi alcançar a união de todos os interessados na concretização da nova ferrovia e na melhoria da estrutura ferroviária no Paraná. “É disso que o estado precisa hoje”, diz ele. “E para que a nova ferrovia seja construída, nenhuma nova tecnologia precisa ser criada. Ela já existe. Devemos apenas trazê-la para o país”. E o Japão é um bom exemplo a ser seguido, segundo o presidente da Ferroeste. “O Japão é um dos líderes em tecnologia ferroviária no mundo. Conhecer um sistema tão moderno, eficiente, seguro e produtivo é muito importante para o nosso trabalho”.

Segundo dados levantados pela Fiep, a malha ferroviária paranaense, no sentido Oeste-Leste, que faz a ligação de Cascavel ao Porto de Paranaguá, encontra-se saturada. Ela é formada por um trecho mais moderno, entre Cascavel e Guarapuava, sob administração da Ferroeste, e se conecta à antiga estrada de ferro da RFFSA, atual concessão da Rumo. A concessão da malha Sul da Rumo vai até 2027 e já pediu renovação do contrato ao governo.

O projeto da nova ferrovia liga Maracaju (MS) ao porto, numa extensão de 1.100 quilômetros. As obras seriam divididas em duas fases. Na primeira, seria feita a melhoria dos 600 quilômetros de trechos do traçado sob concessão da Ferroeste e da Rumo, o que custaria entre R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões. Na segunda etapa, ocorreria a construção de 500 quilômetros de um novo ramal conectando Maracaju (MS) a Cascavel. Esse novo trecho ficaria em um valor entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões.

O próximo passo é levar a proposta do novo traçado ao Governo Federal.

A atual capacidade ferroviária no Paraná é de apenas 10 milhões de toneladas ao ano, o que corresponde a apenas 20% da movimentação do porto de Paranaguá. Com a primeira fase do projeto da nova ferrovia concluído, o volume transportado já passaria para 30 milhões de toneladas ao ano, o que significaria 50% da capacidade de movimentação do porto projetada para 2025. Com a segunda fase o potencial de atração de cargas sobe para mais 10 milhões de toneladas por ano da região do Mato Grosso do Sul, Paraná e Paraguai.

Fonte: FACIAP