De janeiro a maio, a queda acumulada de vendas de automóveis do total de montadoras presentes no País foi de 32%. Até mesmo fabricantes de carros de luxo, que em 2015 conseguiram driblar a crise e crescer 20%, viram o mercado retrair com força. Segundo o presidente do BMW Group, Helder Boavida, a fabricante alemã também amargou “uma quebra de 30%” nas comercializações, com a venda de 4,7 mil unidades. Uma das soluções encontradas para enfrentar o momento atual é a exportação, a partir da unidade da montadora em Araquari (SC), com o envio de 10 mil veículos do modelo X1 aos Estados Unidos até o primeiro trimestre de 2017.

Boavida foi o palestrante ontem da reunião-almoço Tá Na Mesa, na sede da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul). “A expectativa é de que em 2017 o mercado de automóveis passe por uma pequena recuperação, mas, até lá, não se pode esperar melhora no desempenho”, sentenciou. Mas o aquecimento deverá ajudar nas estratégias de atuação da empresa, que no Brasil tem fábricas no Espírito Santo e em Santa Catarina.
Boavida explicou que o câmbio competitivo tem favorecido as exportação de veículos e deve reduzir o impacto da desaceleração do mercado nos últimos meses. “Ainda assim, os três próximos semestres deverão ser ainda bastante difíceis”, opinou o executivo, que prevê melhora para o setor somente entre 2018 e 2019.

Outra estratégia da empresa foi a construção de uma nova fábrica, em Manaus, que visa sustentar a expansão global da BMW Motorrad, considerando o crescimento previsto no Brasil com a produção da nova BMW G 310 R e substitui a operação atual com a Dafra Motos. A operação deve se iniciar no final deste ano, gerando 170 empregos diretos.
O presidente do grupo destaca que, mesmo em tempos de crise, existe um mercado “considerável” de produtos premium no Brasil, que se comporta “um pouco melhor”. “Apesar de o País ser forte no segmento de consumo massivo, há um grupo de clientes que deseja um produto singular e que mantém este segmento.”

Boavida destaca que parte deste mercado está no Rio Grande do Sul, que obteve melhor desempenho que o restante do País no acumulado das comercializações do grupo neste ano. “O desempenho de vendas no Estado foi uma grata surpresa”, admite. Ainda assim, a empresa, por enquanto, não tem planos para investir em solo gaúcho.

Fonte: Jornal do Comércio