Sem uma política industrial efetiva nos últimos anos e com custos tributários e trabalhistas elevados, o setor produtivo brasileiro passou a depender do dólar para ter algum ganho de competitividade. Em 2015, a moeda americana saltou 20,4%, uma alta que só perde para a maxidesvalorização de 1999. Dados do Banco Central (BC) mostram que a alta do dólar ajudou a indústria a exportar, mas diminuiu a importação em um ritmo muito mais lento.

Segundo o estudo, publicado no relatório de inflação, o índice de exportação (valor das exportações sobre o total da produção) subiu de 11,4% em 2010 para 15,5%, em 2015. Os dados para os primeiros meses deste ano são ainda melhores: o indicador chegou a 16,9% em abril. Todos os setores da indústria de transformação mostraram avanços.

Os maiores crescimentos ocorreram nos setores de metalurgia, veículos automotores e máquinas e equipamentos.

Mas, mesmo com o dólar alto, o índice de penetração das importações aumentou em todos os anos desde 2009, chegando a 17,9% em 2015. Neste ano, o impacto da moeda americana começou a se fazer sentir. O indicador recuou a 15,3% em abril. As maiores quedas foram vistas em setores como máquinas e material elétrico, produtos têxteis, artigos de vestuário e acessórios, couro e calçados.

PUBLICIDADE

Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a desvalorização recente do dólar pode comprometer esses avanços dos produtos exportados e voltar a aumentar a importação. Ele ressalta que os dados mais recentes do Ministério do Desenvolvimento mostram que houve um pico de importados em junho, mês em que a moeda americana recuou 11%:

— Mas ainda é cedo para falar que isso é uma tendência, por causa de uma grande quantidade de importados da Coreia numa compra de bens de capitais. Temos de aguardar.

Segundo Castro, a indústria ficou muito dependente do câmbio porque o país não resolveu problemas estruturais como a tributação. É preciso, afirmou, diminuir o custo Brasil, fazer reforma tributária, avançar na infraestrutura e definir o quadro político para que o exportador volte a investir.

Fonte: O Globo