Bom para alguns setores, mas menos para outros. A volatilidade do câmbio preocupa a indústria para quem a flutuação tão drástica do dólar traz consequências e prejuízos. Foi o que disse o primeiro vice-diretor da regional Sorocaba do Centro das Indústrias no Estado de São Paulo (Ciesp), Erly Domingues de Syllos.

“O equilíbrio seria o ideal. Uma taxa de R$ 3,50 já é aceitável e capaz de recompor perdas”. Syllos deu um exemplo: “Como no Brasil o câmbio oscila de acordo com as regras de mercado e lamentavelmente também conforme o humor político, temos de administrar essa realidade”.

“Imagine você uma empresa que fechou um contrato quando o dólar estava cotado a R$ 4 e, agora, tem de obedecer o patamar de R$ 3,20. É inegável que sofrerá prejuízos”. O setor, por outro lado, acompanha com menos reservas, segundo o dirigente, a evolução do quadro da economia.

Syllos disse que uma sondagem feita junto a empresas instaladas em Sorocaba aponta para um cenário de estabilidade. “A crise perdeu força e chegou ao seu limite de queda”, afirmou. Mesmo reconhecendo que ainda é cedo para euforia, o representante da regional do Ciesp disse que o nível de confiança do setor está melhorando.

“Sabemos que em 50 dias poucas ações produziram efeitos práticos, mas a credibilidade já faz com que os empresários revejam suas estratégias e avaliem perspectivas de novos investimentos, que é o que todos desejamos. Com isso, o desenvolvimento pode voltar e contribuir para a geração de empregos, mesmo que a médio prazo”.

Esse panorama mais favorável será tratado num seminário que acontece no próximo dia 12. O encontro irá abordar, entre outros temas, a prospecção de novos mercados de exportação. Syllos lembra que nos últimos dois anos a indústria de transformação, base da economia sorocabana, foi bastante penalizada.

O PIB do setor em 2015 ficou em -9,7%, deve fechar este ano em -7,8% e tem chances reais de alcançar níveis positivos em 2017. “Não há mal que sempre dure. Estamos confiantes e no aguardo de ações que possam contemplar não apenas as nossas expectativas, mas a de todos que sofreram os efeitos da crise”.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul