Dados da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) divulgados nesta quarta-feira (22) apontam que o novo coronavírus já atinge 11 povos indígenas de Rondônia. No total, a entidade cita que há 113 povos dos nove estados da Amazônia lutando contra a Covid-19 até o momento.

Conforme a COIAB, os povos indígenas atingidos em Rondônia pela Covid-19 são:

  • Arara;
  • Cinta Larga;
  • Karitiana;
  • Kanoê;
  • Kassupa;
  • Mura;
  • Puruborá;
  • Paiter Suruí;
  • Tupari;
  • Wajuru e;
  • Zoro.

Os números da COIAB foram atualizados pela última vez em 21 de julho. O estado com mais povos atingidos é o Amazonas (34), seguido de Pará (24) e Mato Grosso (12). Depois de Rondônia, vem: Acre (10), Maranhão (7), Roraima (6), Tocantins (5) e Amapá (4).

Boletim da COIAB mostra relação de povos indígenas espalhados nos nove estado que já foram atingidos pelo novo coronavírus. — Foto: Divulgação/COIAB

A organização também cita que há 659 casos suspeitos, 12.655 casos confirmados e 480 mortes registradas em 80 povos indígenas da Amazônia por causa do Sars-Cov-2.

O levantamento da COIAB é feito com base em boletins informativos e notas de falecimento emitidas pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, além de relatos de lideranças indígenas, profissionais da saúde indígena e organizações que fazem parte da rede da organização.

A COIAB contabiliza 9 mortes em decorrência da Covid-19 entre indígenas de Rondônia até a última atualização dos dados. Já a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil fala em 10 óbitos, enquanto a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) do estado contabiliza seis.

A mais recente é do indígena Renato Cinta Larga, de 92 anos, a segunda do povo. O Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) de Vilhena informou que o ancião era morador da aldeia Quati, da Terra Indígena Roosevelt, localizada aproximadamente 80 quilômetros do município de Espigão D’Oeste (RO).

Indígena Renato Cinta Larga morreu vítima da Covid-19 em Rondônia; pandemia do novo coronavírus — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Renato ficou internado por cerca de sete dias, mas não resistiu ao avanço do novo coronavírus e faleceu esta semana.

O primeiro caso registrado de Covid-19 no povo Cinta Larga foi no dia 26 de junho. Desde então as equipes do Dsei estão trabalhando com a prevenção, pedindo para que os indígenas não saiam das aldeias sem necessidade e que façam o uso de equipamentos de proteção.

Em meados de abril deste ano, entidades já alertavam sobre o perigo do avanço do novo coronavírus entre as aldeias do estado. Dom Roque Paloschi, presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), informou à época que o Cimi orienta que os indígenas cumpram com as recomendações das autoridades de saúde de permanecerem dentro das aldeias para evitar a disseminação da doença.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) respondeu na ocasião, por meio da assessoria, que se mobiliza para atuar no combate ao novo coronavírus, assim como os demais órgãos do Governo Federal.

Também negou que exime das obrigações legais, “sempre primando pelo zelo e atenção em suas ações, as quais repercutem diretamente sob o modo de vida dos indígenas neste momento atípico”.

Rondônia bateu recorde nesta quarta-feira (22) com 31 novos registros de mortes em decorrência do novo coronavírus, chegando a 758 óbitos. Segundo dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), houve ainda a confirmação de 2.302 diagnósticos a mais da Covid-19 na região, que totaliza 32.944.

Porto Velho continua sendo a cidade com maior número de infectados: são 18.973 diagnósticos da doença e 496 óbitos. Em seguida está Ariquemes (2.216), Guajará-Mirim (1.973) e Jaru (1.016).

A Sesau também divulgou que há:

  • 21.192 pacientes recuperados;
  • 453 pacientes internados no total;
  • 110.382 testes realizados e;
  • 755 casos suspeitos aguardando resultado no Lacen.



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