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Uma pesquisa da USP, em parceria com a Universidade de Oxford, chegou à conclusão de que o coronavírus já estava sendo transmitido aqui no Brasil antes da confirmação oficial do primeiro caso, no início de fevereiro.

Ao se espalhar pelo mundo, o novo coronavírus foi sofrendo mutações e essas diferenças podem revelar um certo parentesco. Olhando para o vírus que infecta cada paciente, dá pra saber de onde ele veio. Olhar para o vírus é fazer o sequenciamento genético dele.

Uma pesquisa da USP, em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido, analisou quais variações do coronavírus infectaram mais de 400 brasileiros, de todas as regiões do país, até abril. O estudo, que ainda não foi publicado, reuniu pesquisadores de laboratórios públicos e privados.

Os primeiros brasileiros com Covid-19 foram diagnosticados entre o fim de fevereiro e o começo de março e tinham voltado de viagem à Europa – principalmente à Itália. Mas, esse estudo indica que, naquela época, o vírus já estava circulando no país.

Nos pacientes pesquisados, foram encontradas 104 variações do vírus. Mas, apenas três delas conseguiram se espalhar para muitas outras pessoas – provavelmente porque chegaram ao país bem antes das medidas de distanciamento social.

A coordenadora da pesquisa afirma que essas três variações do vírus tiveram origem na Europa e podem ter entrado no Brasil na época do carnaval.

“O primeiro caso foi exatamente detectado numa terça-feira de Carnaval. Então, provavelmente, esses casos chegaram um pouco antes, uma semana, 10 dias, e começaram a replicar aqui”, explicou Ester Sabino, professora do Departamento de Moléstias Infecciosas da USP.

Um dos laboratórios em São Paulo que participaram da pesquisa fez o sequenciamento genético dos vírus que infectaram dois moradores do Rio de Janeiro diagnosticados com Covid-19 no começo de março, antes que o estado tivesse declarado a transmissão comunitária.

Mas, ao contrário do que acontecia com os outros infectados naquele momento, essas duas pessoas não tinham saído do país e nem tinham estado com algum viajante. Ou seja, o vírus já vinha sendo transmitido pelo Brasil. E o que infectou os dois cariocas não foi um vírus vindo da Europa.

“Nos casos dos vírus que foram transmitidos internamente aqui no Brasil, a gente não conseguiu ter uma comparação perfeita, mas o que se chegou de maior semelhança foi com o material genético do coronavírus publicado na China”, relatou Emerson Gasparetto, vice-presidente médico da Dasa.

A pesquisa indica que essa variação do vírus procedente da China não conseguiu se espalhar muito pelo Brasil – talvez porque os primeiros infectados não tenham tido contato com muita gente.

Uma outra pesquisa, feita pela Universidade Federal de Santa Catarina, encontrou partículas do novo coronavírus em duas amostras de esgoto colhidas em Florianópolis em novembro e dezembro de 2019.

“Esse vírus já estava presente aqui nas amostras de esgoto em novembro. Provavelmente outros locais – não só aqui em Santa Catarina e até no Brasil e nas Américas – se for feita uma busca retroativa, é bem possível que se encontre também”, disse Patrícia Stoco, pesquisadora da UFSC.

Cientistas da Universidade de Barcelona, na Espanha, também examinaram amostras antigas do esgoto da cidade e encontraram traços do novo coronavírus em uma amostra de março de 2019.

A ciência tenta entender porque a doença só começou a se alastrar a partir de Wuhan, na China, no fim de 2019. A explicação pode estar em mutações genéticas que o vírus sofreu. Rastrear essas mutações também é importante para desenvolver vacinas e, principalmente, testes eficientes para a Covid-19.

“Teste e diagnósticos é muito importante monitorar, porque uma só mutação pode tornar um teste negativo. Esse vírus, felizmente, sofre pouca mutação. O que a gente acredita é que vai ter pouca influência nas vacinas, mas é sempre bom monitorar e saber o que está acontecendo”, explicou Ester Sabino.

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