Os exames mais lembrados quando se fala em Covid-19 são o RT-PCR, que detecta a presença do coronavírus (Sars-CoV-2) a partir de amostras do nariz ou da garganta, e os testes sorológicos, que rastreiam os anticorpos produzidos pelo organismo a partir do contágio. Mas fique sabendo que o raio-x e a tomografia de pulmão também podem ter seu papel contra essa enfermidade.

O radiologista Pedro Carvalho, da Medvia Diagnóstica, explica que esses métodos servem como uma espécie de complemento. “O RT-PCR de fato é o mais indicado para o diagnóstico, porque confirma se a pessoa tem o vírus ou não. Mas os exames de imagem mostram a gravidade da Covid-19. Ou seja, quanto ela está acometendo o pulmão e de que maneira”, informa.

Segundo o radiologista César Penteado, diretor técnico do grupo Cura de Medicina Diagnóstica, o raio-x e a tomografia foram especialmente úteis no começo da pandemia, quando havia escassez de testes nos serviços de saúde. “Eles não fecham o diagnóstico, mas ajudam a diferenciar de outras doenças que têm os mesmos sintomas”, pontua.

Em um paciente cuja avaliação clínica indique suspeita de coronavírus, a tomografia pode descartar a presença de certas pneumonias virais, por exemplo. Não é o ideal para fechar o diagnóstico, porém serve como apoio em situações onde faltam materiais para fazer o RT-PCR.

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Penteado informa que, entre os exames de imagem, a tomografia tende a ser mais útil porque consegue analisar o tórax em todas as dimensões. O raio-X é mais limitado — e mais barato.

“Além disso, ele só revela as alterações no pulmão em estágios mais graves. Com a tomografia, podemos identificá-las desde o início”, arremata Carvalho.

Quando os exames de imagem devem ser realizados no contexto do coronavírus?

Como dissemos, eles não fazem parte do protocolo oficial de diagnóstico da Covid-19. “Primeiramente, ocorre a avaliação clínica. Se houver sintomas e achar necessário, o médico solicita”, relata o diretor técnico do grupo Cura.

Entretanto, em pessoas internadas com diagnóstico confirmado de coronavírus e entre as que já estão curadas, essas técnicas têm grande valia para o acompanhamento do quadro. “A tomografia é o principal meio para checar a progressão da doença, se está melhorando ou piorando”, conta Carvalho.

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Um levantamento interno da Medvia Diagnóstica mostrou que a realização de tomografias do tórax cresceu nesse período. O índice foi de 2 900 em abril para 6 500 em julho, um aumento de 124%.

“Em abril, a cada dez exames realizados, um era tomografia. Hoje, ela representa um terço de todas as avaliações que fazemos”, compara Carvalho, radiologista da Medvia.

Penteado acredita que raio-x e tomografia serão fundamentais para conferir, no médio e no longo prazo, o estado de saúde dos pacientes que tiveram sequelas e alterações pulmonares graves. “Eles serão importantes para monitorar esses casos. Então a gente espera que o volume continue alto”, finaliza.



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