A China está emergindo como vencedora da batalha da OPEP contra produtores rivais de petróleo, já que a maior consumidora de energia do mundo está acumulando petróleo bruto.

Os esforços do país para incrementar suas reservas poderiam aumentar suas importações em até 700.000 barris diários em 2015, segundo a Energy Aspects Ltd., com sede em Londres. Trata-se de mais de metade da superabundância global prognosticada pelo Citigroup Inc. depois que a Organização de Países Exportadores de Petróleo se absteve de reduzir a produção na sua reunião na semana passada. O petróleo bruto do tipo Brent caiu 41 por cento após registrar um pico em junho.

O decrescente número de investidores que ainda apostam em uma recuperação dos preços pelo menos pode contar com a demanda chinesa. A OPEP decidiu manter as metas de produção mesmo que um boom do xisto esteja impulsionando a produção para seu máximo em mais de três décadas e causando uma superabundância mundial da oferta. Como o petróleo bruto está prolongando sua queda até seu mínimo em mais de quatro anos, a China procura desenvolver uma reserva estratégica de petróleo.

“Este é um período de tempo excelente para adquirir reservas estratégicas de petróleo a custos menores”, escreveu por e-mail Gordon Kwan, o diretor de pesquisa regional sobre petróleo e gás da Nomura Holdings Inc. em Hong Kong, em 28 de novembro. A China será “uma grande beneficiária” da decisão da OPEP, disse ele.

A China aumentou suas importações em 8,3 por cento, ou 460.000 barris por dia, nos primeiros nove meses deste ano, o maior ritmo desde 2010, mostram dados alfandegários. O país superará os EUA como maior consumidor de petróleo do mundo dentro de duas décadas, segundo a Agência Internacional de Energia em Paris.

Desmoronamento

Os preços de referência para o petróleo despencaram 40 por cento após registrar um pico em junho, o pior declínio desde o desmoronamento do sistema financeiro em 2008. O fenômeno ameaça ter o mesmo impacto mundial que uma queda dos preços ocorrida há três décadas que causou a crise da dívida mexicana e contribuiu para o fim da União Soviética.

A China possui atualmente reservas equivalentes a cerca de trinta dias de importações. O governo procurará levar esse patamar até cem dias para 2020, segundo a China Petrochemical Corp., a maior refinaria da Ásia. A cifra equivaleria a cerca de 570 milhões de barris, com base nas importações mensais mais recentes.

A queda dos preços “levará a China a acelerar seu programa de reservas de emergência”, disse Gao Jian, analista da consultora SCI International, com sede em Shandong, China, em entrevista por telefone em 28 de novembro.

Os inventários comerciais de petróleo bruto aumentaram para 35,63 milhões de toneladas métricas, ou cerca de 261 milhões de barris, em setembro, segundo dados compilados pela Bloomberg de um comunicado informativo publicado pela agência de notícias oficial Xinhua. Foi o terceiro recorde trimestral consecutivo.

Compras

A China comprou cerca de 440.000 barris de petróleo bruto por dia a mais do que consumiu entre janeiro e setembro, a maior quantidade desde 2010 com base em dados compilados pela Bloomberg de estatísticas chinesas. O superávit é calculado subtraindo a quantidade processada pelas refinarias às importações líquidas e à produção doméstica.

O governo preencheu quatro locais de armazenamento com 91 milhões de barris de petróleo bruto, disse a Secretaria Nacional de Estatística em um comunicado em 20 de novembro. A China terminou de construir os locais, cuja capacidade é de cerca de 103 milhões de barris, em 2009, na primeira de três fases de construção.

“A nossa hipótese básica é um incremento modesto das importações, mas o crescimento está surgindo de uma base muito alta”, escreveu por e-mail Amrita Sen, analista-chefe do mercado de petróleo da Energy Aspects, em 28 de novembro. “Se a China construir mais cavernas, as importações poderiam aumentar entre 600.000 e 700.000 barris por dia”.

Fonte: Bloomberg News