A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou nesta quinta-feira (9), por unanimidade, a indicação do diplomata Sergio Danese para a Embaixada brasileira na Argentina. A indicação será votada agora pelo Plenário do Senado. Na sabatina, Danese, que ocupou a Secretaria-Geral do Itamaraty nos últimos 16 meses, alertou para o risco que o Brasil corre de “perder muito espaço” na exportação de tecnologia, bens e serviços, não apenas para o mercado argentino, mas para outras nações latino-americanas e outros países.

Ele defendeu que não apenas o Brasil, mas o Mercosul como um bloco, mantenha e procure ampliar os meios próprios de financiar a integração inter-regional.

– Isso é, sim, motivo de grande preocupação. Se não garantirmos mecanismos para que as empresas brasileiras possam ter um acesso financiado ao mercado argentino, vamos perder espaço para as companhias de outros países – afirmou, referindo-se à política ativa que países como China e Estados Unidos e a União Europeia mantém nesse campo.

O tema também foi abordado pelo senador Armando Monteiro (PTB-PE), que foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no segundo mandato da presidente afastada Dilma Rousseff. Ele alertou para o fato de que empresas da China, Espanha e Estados Unidos têm um suporte consistente de seus respectivos governos na exportação de tecnologia, bens e serviços. Observou, no entanto, que esse procedimento passou a sofrer um viés “criminalizante” por parte de setores da sociedade brasileira a partir de algumas investigações no âmbito da Operação Lava Jato.

– Temos é que valorizar, e não criminalizar, a presença expressiva que nossas empresas de engenharia têm hoje nas Américas do Sul e Central, além da África. Isso é fruto de uma ação direta do BNDES, e nos traz muitos frutos – enfatizou Monteiro.

Acordo com União Europeia

Também foram outro ponto de destaque na sabatina as negociações envolvendo a tentativa de um acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE). Instigado entre outros por José Agripino (DEM-RN) a tratar do tema, Danese afirmou que esse acordo pode “relançar” o bloco sul-americano e fazer com que ganhe uma dimensão internacional bem mais relevante.

Danese observou que os europeus têm a tendência natural de analisar nosso potencial econômico mais sob a ótica integrada do que a partir de seus mercados individualizados.

– Acordos com outras partes do mundo são básicos para sustentar o Mercosul. O acordo com a UE pode redefinir o bloco, ser uma força-motriz de um novo tempo – reforçou o diplomata.

Ele disse acreditar que essas negociações podem modelar outros projetos com as nações do Golfo Pérsico e com a Índia, possibilitando que o Mercosul “saia da mesmice”.

Grupo Parlamentar Brasil-Argentina

Durante a reunião, foi aprovada a criação do Grupo Parlamentar Brasil-Argentina. Danese afirmou que as relações entre os dois países transcendem governos, sendo “relações de Estado”, uma referência as recentes mudanças de governo verificadas a partir da eleição de Maurício Macri e da gestão do presidente interino Michel Temer, seguindo o impeachment de Dilma Rousseff.

A situação política foi abordada por diversos senadores. Em resposta a Cristovam Buarque (PPS-DF), o diplomata afirmou “não ter dúvidas” de que os objetivos históricos de integração “se tornam ainda mais intensos” com Temer e Macri.

Em resposta a Ana Amélia (PP-RS), Danese frisou que pretende tratar como uma de suas primeiras prioridades em Buenos Aires, a partir de sua aprovação pelo Plenário do Senado, da efetivação do acordo transfronteiriço, acabando com a burocracia no trânsito entre cidadãos nas cidades limítrofes.

Em resposta a Lasier Martins (PDT-RS), disse que será dada prioridade às negociações entre os dois governos, objetivando a criação de uma terceira ponte unindo os dois territórios.

No que se refere à integração econômica, o senador Armando Monteiro lamentou que o Brasil ainda não tenha com a Argentina e outras nações da região acordos envolvendo compras governamentais.

Quanto às relações comerciais, Danese observou que 90% de nossas exportações à Argentina são de produtos manufaturados e que 130 empresas brasileiras têm uma presença ativa no mercado do país vizinho.

Fonte: Agência Senado