A taxa de contágio de coronavírus do Brasil, que indica a velocidade com que o patógeno está se espalhando entre a população, voltou a subir na semana que começou no domingo (6), indica cálculo de um dos principais centros de acompanhamento de epidemia do mundo, o MRC, do Imperial College.

O país havia registrado uma taxa de 0,94 na semana anterior, o que significava uma desaceleração da expansão da Covid-19, mas o indicador (conhecido como Rt) subiu para 1. Com isso, a velocidade de transmissão se mantém constante, dificultando o controle da epidemia.

A taxa de contágio brasileira ficou acima de 1 por 16 semanas seguidas desde o final de abril, e vem oscilando nas últimas quatro semanas: desceu abaixo de 1 em duas delas e ficou igual a 1 nas outras duas. Nos 14 dias encerrados nesta quinta (10), foram registrados 480.733 novos casos de coronavírus, segundo dados do ECDC (Agência de controle de doenças transmissíveis). A soma é 22% menor que os 616.331 das duas semanas que se encerraram em 10 de agosto e 12% abaixo em relação à da quinzena que se encerrou no começo do mês.

A acurácia dos casos relatados, porém, também caiu, de acordo com as estimativas do Imperial College. O Brasil vinha registrando 64% das infecções pelo coronavírus, e agora registra 62,3%: mais de um terços dos casos não é detectado, de acordo com os cálculos.

Após ponderação pelo tamanho das populações, o Brasil é o terceiro país sul-americano com maior número de casos. Foram 228 diagnósticos por 100 mil habitantes nas duas semanas encerradas nesta quinta, atrás de Argentina (com 314/100 mil) e Peru (235/100 mil).

A oscilação da taxa de contágio em torno de 1 tem acontecido também em outros países sul-americanos. Nesta semana, cinco deles têm Rt calculado acima de 1: Paraguai (1,2), Argentina (1,17), Bolívia (1,07) e Chile e Venezuela (1,02).
A transmissão está perdendo força no Equador e Peru, ambos com Rt de 0,98: isso significa que cada 100 pessoas transmitem o coronavírus para outras 98, que por sua vez passam a doença para 96 e assim por diante, reduzindo a expansão da Covid-19.

O Imperial College calcula a taxa de transmissão com base no número de mortes reportadas, porque o dado é menos sujeito a subnotificações que o de casos registrados; como há uma defasagem entre o momento do contágio e a morte, mudanças nas políticas de combate à epidemia levam em média duas semanas para se refletirem nos cálculos.

De acordo com o acompanhamento da OMS, na América do Sul apenas a Guiana e Uruguai não apresentam transmissão comunitária de coronavírus.

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