Até 87% dos casos de Covid-19 entre janeiro e março de 2020 em Wuhan, na China, não foram detectados. Eram pacientes assintomáticos, pré-sintomáticos ou com sintomas leves, de acordo com estudo publicado na “Nature” nesta quinta-feira (16). Essas pessoas tiveram um papel importante na disseminação da doença.

  • Assintomáticos: pacientes que não chegam a desenvolver a doença
  • Pré-sintomáticos: pacientes sem sintomas, mas que deverão desenvolver no futuro
  • Pacientes leves: têm febre, tosse, ou qualquer outro sintoma, mas não precisa de internação hospitalar

Acredita-se que este grupo de infectados pelo Sars CoV-2 tenha um papel importante na disseminação da doença. Isso, principalmente, devido à dificuldade de rastreio para implementação do isolamento. Além disso, mesmo com o desenvolvimento de alguns sintomas, eles podem ser facilmente confundidos com outras doenças.

Para entender o fluxo de transmissão, o cientista Chaolong Wang e seus colegas tentaram reconstruir a dinâmica do surto que iniciou em Wuhan, primeiro epicentro da Covid-19 no planeta. Eles avaliaram o impacto de 32.583 casos confirmados em laboratório entre 8 de dezembro de 2019 e 8 de março de 2020.

Com base nesses dados, eles dividiram o surto em cinco períodos importantes e com impacto, como o Ano Novo Chinês, a imposição do isolamento e a quarentena. A modelagem da epidemia mostra que a transmissão inicial foi muito alta, como uma taxa estimada de reprodução (R0) de 3,54 – ou seja, a cada pessoa infectada, outras 3,54 também eram atingidas pelo vírus.

No final do surto, a taxa estava perto de 0,28, segundo os autores, prova de que as intervenções de isolamento, controle de fronteiras e uso de máscaras foram fundamentais para o controle na China. A implementação de medidas não medicamentosas no país reduziu em 96% o número total de infecções até o dia 8 de março.

Ao ajustar a modelagem ao número já conhecido da Covid-19 na China, eles viram que muitos casos provavelmente não foram detectados pelo sistema de saúde e contabilizados. Os pesquisadores estimam que até 87% das infecções, com um limite mínimo de 53%, provavelmente foram de pacientes com menos chance de detecção, do grupo dos assintomáticos, pré-sintomáticos e de sintomas leves.

Os autores também preveem uma chance alta de uma segunda onda de infecções no país. Se ocorrer um relaxamento das restrições 14 dias após o primeiro dia sem nenhum caso registrado, há chance de 97% de retorno da Covid-19. Se o isolamento e outras medidas só caírem após 14 dias sem registros da doença, a chance de volta do vírus cai para 32%.

Assintomáticos transmitem?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reafirmou no início de junho que pessoas assintomáticas transmitem coronavírus, mas que “a questão é saber quanto”. O esclarecimento foi feito um dia depois de a chefe do programa de emergências da entidade, Maria van Kerkhove, declarar que parece ser “rara” a transmissão da Covid-19 por pacientes sem sintomas da doença.

“Estamos absolutamente convencidos de que a transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo, a questão é saber quanto”, disse diretor de emergências da OMS, Michael Ryan.

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