Vivendo uma crise histórica, com ociosidade média em suas fábricas de mais de 30%, a indústria brasileira de aço aposta na exportação sua sobrevivência até o fim de 2017. É até quando o setor prevê que o país vai levar para se recuperar da crise econômica. Essa foi a mensagem levada há alguns dias por representantes do Instituto Aço Brasil a três ministros do governo interino de Michel Temer, em reuniões em Brasília.

Liderados por Benjamin Baptista Filho, presidente do conselho diretor da entidade, e por Marco Polo de Mello Lopes, presidente­executivo, os representantes do Aço Brasil tiveram encontros com os ministros Marcos Pereira, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, José Serra, das Relações Exteriores, e Dyogo Oliveira, do Planejamento.

“Apresentamos uma fotografia do que é o setor hoje, da sua gravidade e a convicção de que o mercado não retoma crescimento em 2016 e 2017”, disse Lopes ao Valor. Segundo ele, a indústria no país não pode se manter com 59% de ocupação da capacidade, decorrente da queda de consumo interno na faixa de 20%. “O comércio exterior é uma variável importante para o setor”, disse.

Aos ministros foi ressaltada a necessidade de medidas para recuperar a competitividade das fabricantes de aço do país no mercado externo. Um dos pedidos é a elevação da alíquota do Reintegra (restituição de impostos a empresas exportadoras) para patamares de até 5%. Está em 0,1%.

Segundo Lopes, com a capacidade de produção de que dispõe, o país pode vir a exportar mais 8 milhões de toneladas por ano.
A crise do setor, o cenário global de excesso de oferta de aço e o papel da China, maior fabricante mundial, que já exporta 110 milhões de toneladas ao ano, serão temas do Congresso Brasileiro do Aço, que ocorre hoje e amanhã em São Paulo. O evento terá palestrantes nacionais e estrangeiros. Está prevista uma palestra de Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, no encerramento, amanhã.

Hoje, logo após a abertura, o presidente sênior do grupo francês Vallourec na América do Sul, Alexandre de Campos Lyra, assume a presidência do Conselho Diretor do Aço Brasil, que reúne 11 siderúrgicas instaladas no país. A Vallourec é fabricante de tubos sem costura no país, com duas operações em Minas Gerais. Para vice­presidente, foi nomeado ontem à noite Sérgio Leite de Andrade, eleito há poucos dias o novo presidente da Usiminas.

Fonte: Valor Econômico